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CURSOS REFORÇAM A INDÚSTRIA NA BUSCA DA PRODUTIVIDADE


Transformação descobre que funcionários bem treinados propiciam melhor desempenho e aposta no aperfeiçoamento de suas equipes

José Paulo San´t Anna

O mercado de transformação de plástico torna-se a cada dia mais competitivo e exige das empresas do setor investimento constante de milhares e milhares de reais em diversas frentes. Além da aquisição de equipamentos sofisticados e de outros aspectos administrativos fundamentais, ganha espaço a manutenção de uma equipe de funcionários bem preparados, dos mais variados níveis.  Cuca Jorge
Cursos para público diverso abordam temas variados

Aplicar no treinamento dos trabalhadores pode significar a obtenção de bons resultados para não perder espaço para a concorrência.

Esse quadro eleva a importância de um negócio ainda pouco explorado, mas que apresenta bom potencial de lucratividade. Trata-se do ensino especializado da tecnologia do plástico. Ainda raras, começam a surgir escolas que se aproveitam do aumento da demanda do mercado e oferecem cursos para públicos diversos, sobre temas e com durações os mais variados. Elas apostam na crescente percepção por parte das fábricas do aumento de produtividade propiciado por funcionários com maior nível de conhecimento dos equipamentos, matérias-primas e processos. 

Entre essas escolas, algumas das mais procuradas são as paulistas Instituto Avançado do Plástico (IAP), Escola LF e Projeto Excelência. Elas foram fundadas por ex-professores da Escola Senai Mario Amato, única do Serviço Nacional da Indústria que conta com módulo especializado nos segredos da transformação.

Sob encomenda - A Escola Mario Amato é uma pioneira nacional no ensino de plástico em nível técnico, nascida em 1990, em conseqüência do grande avanço do uso do plástico nas mais variadas aplicações. "As máquinas e matérias-primas evoluíram e o Senai resolveu atender ao pedido das empresas do setor preocupadas em investir na melhoria da qualidade da mão-de-obra", explica Luiz Carlos Casemiro, coordenador do Núcleo de Tecnologia do Plástico do Senai.

Sobre rodas - O técnico em plásticos e ex-instrutor de treinamento do Senai Alexandre Farhan decidiu montar uma pequena escola em Guarulhos-SP, em 1996. Na época, a Escola LF ocupava área construída de 70 m². Hoje localizada no bairro paulistano da Móoca, na cidade de São Paulo, ocupa área quatro vezes maior e ainda planeja a inauguração de sua nova sede, que está sendo construída também em São Paulo, em terreno de 1.200 m² no bairro da Penha. "O rápido crescimento demonstra o sucesso do empreendimento", orgulha-se Alexandre Farhan, técnico de plástico que no passado trabalhou em várias empresas e também como professor do Senai, antes de fundar a escola.

Cuca Jorge A instituição de ensino também realiza cursos in company, com programas criados de acordo com as necessidades do contratante. Para atender melhor às empresas, a escola adotou uma medida ousada. Transformou a caçamba de um caminhão em uma autêntica sala de aula, equipada com lousa, televisão, vídeo, retroprojetor, carteiras e até uma injetora, onde podem ser produzidos pequenos lotes de peças e treinadas as técnicas da operação. 
Instruções incluem prática nos equipamentos disponíveis

"Fizemos isso porque muitas empresas que nos contratam não contam em suas dependências com local adequado e máquina disponível para a realização das aulas", conta Farhan. Desde que foi montado, há dois anos, o caminhão já percorreu várias cidades do interior paulista, do Paraná, Santa Catarina e Rio de Janeiro.

Quatro são os cursos principais oferecidos pela escola em suas dependências: analista técnico de materiais plásticos, com seis meses de duração e indicado para alunos com segundo grau; projetista de moldes, com quatro meses e para alunos capacitados para interpretar desenhos técnicos mecânicos; analista técnico de processo de injeção, com sete meses de duração e indicado para alunos alfabetizados; e analista técnico do processo de sopro, com cinco meses de técnicas e para alunos alfabetizados. O programa inclui aulas duas vezes por semana, complementadas por visitas a fabricantes de equipamentos, matérias-primas e transformadores.

Na opinião de Farhan, os certificados de conclusão dos cursos ministrados são reconhecidos pelo mercado. Segundo ele, a escola se empenha também na obtenção de vagas de trabalho para os alunos desempregados. "Até o apagão, nenhum de nossos alunos ficou sem colocação. Nos últimos meses, com a crise econômica, temos encontrado dificuldade para arrumar vagas para os alunos nas empresas", explica. Cuca Jorge
Farhan conta até com uma uma injetora para produção de pequenos lotes

(Fonte: Revista Plástico Moderno - Edição 355 - Maio de 2004)